Neste mundo de dietas malucas, o que comer?

Saúde

A cada dia aparece propaganda de um novo tipo de dieta para emagrecer, prometendo dar a qualquer pessoa um corpo escultural, rapidamente, sem dificuldades. Mas estudos científicos claramente demonstram que a população humana está cada vez mais obesa, e que problemas de saúde relacionados à obesidade estão aumentando. Isso sugere que ninguém está seguindo essas dietas miraculosas? Ou talvez elas não sejam tão simples e eficazes quanto prometem. No vasto mundo das dietas para perda de peso e na busca por melhor saúde, quais seriam as melhores recomendações científicas disponíveis?

Para entender efeitos de diferentes dietas na perda de peso, precisamos primeiro entender por que engordamos com tanta facilidade. Frequentemente, jogamos a culpa do engordar na pessoa obesa: porque ela come quantidades erradas, tipos de alimentos incorretos, horários indevidos etc. Mas a verdadeira razão de termos tanta obesidade no mundo, hoje, é a evolução.

Descendemos de humanos que viveram durante milhares de anos em situação de escassez, pelo menos periódica, de comida. Desse modo, somos evolutivamente programados para guardar qualquer excesso de comida ingerida como gordura, para usar essa energia armazenada em tempos de necessidade. Também evoluímos para gostar muito de comida, especialmente aquela que é rica em calorias. Isso garantia nossa sobrevivência.

O problema é que, hoje, temos acesso facilitado à comida, e, com nossa carga evolutiva de guardar gorduras e gostar de comer, fica bem fácil pra maioria das pessoas engordar.

Mas colocar a culpa da obesidade na evolução, justificadamente, não elimina o fato de que ser obeso relaciona-se a vários problemas de saúde, incluindo diabetes, infarto, cânceres e doença de Alzheimer, dentre outros. Portanto, para a maioria da população que deseja envelhecer com saúde, vale a pena ficar de olho na balança e evitar a obesidade. A pergunta que fica é: como fazer isso, com sucesso e com saúde.

O primeiro ponto a ser avaliado em relação à obesidade e dietas é se, de fato, a pessoa que deseja perder peso precisa disso para ganhar saúde. Criaram-se padrões socialmente associados à saúde ou à estética corporal que não correspondem necessariamente aos associados pela ciência a maior sobrevida ou menor incidência de doenças.

Como exemplo, muitas modelos fotográficas têm parâmetros medicamente classificados como abaixo do recomendado, com índice de massa corpórea (IMC, que é o peso dividido pela altura ao quadrado) inferior a 18,5 Kg/m2. E essa faixa é associada a riscos à saúde bem maiores do que pesos na faixa normal de IMC (18,5 a 25 Kg/m2).

Isso significa que corpos reconhecidos como ideais na nossa cultura atual não o são em termos de saúde. Embora haja críticas ao uso do IMC, sabe-se que, até dentro da faixa de normalidade desse índice, existe maior risco de morte e doença entre as pessoas com menor peso relativo (IMC de 18,5 a 23,5 kg/m2) do que aquelas no limite superior da faixa normal (23,5 a 25 kg/m2).

Portanto, tem muita gente com peso normal que gostaria de perder uma pequena “barriguinha” ou gordura localizada por motivos estéticos, mas que não terá nenhum ganho de saúde associado, e talvez até sofra prejuízos.