Teste rápido para a febre chikungunya é liberado pela Anvisa

Um teste rápido, barato e prático para detectar febre chikungunya obteve nesta segunda-feira, 5, registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Desenvolvido pela Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos (Bahiafarma), laboratório público do estado, o teste já está liberado para produção e distribuição.

Em 2016, 46.778 casos suspeitos da doença foram notificados na Bahia. De acordo com o secretário da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), Fábio Vila-Boas, o dado revelou a importância de um exame que pudesse ser distribuído gratuitamente.

“Já havia testes  de empresas privadas, mas esse é o primeiro de laboratório oficial, com a possibilidade de distribuição ao Sistema Único de Saúde (SUS)”, disse.

O secretário informou que, até dezembro, o SUS poderá identificar  as três principais arboviroses que acometem o país: zika, chikungunya e dengue.

Com uma ou duas gotas de sangue, soro ou plasma do paciente, é gerada uma reação  capaz de detectar a doença com 95% de precisão em 20 minutos. Além disso, o  teste pode ser feito nos primeiros dias de infecção, o que auxilia no diagnóstico rápido da enfermidade.

Para o diretor-presidente da Bahiafarma, Ronaldo Dias, o custo do exame é um fator positivo. “Para adquirir  por vias privadas, o gasto seria por volta de R$ 50 por reação. O custo do nosso teste varia de R$ 25 a R$ 35”, disse. Segundo ele, seria complicado  para o estado fornecer o exame à população devido ao   alto valor.

Registro

Com registro publicado nesta segunda no Diário Oficial da União, o teste já pode ser adquirido por qualquer ente público do país. Além do exame de zika e chikungunya, já aprovados pela Anvisa, tramita na agência a aprovação e liberação de comercialização do exame rápido para dengue.

Em nota, a agência informou que o processo de registro inclui diversas etapas, em que a  empresa deve apresentar documentos comprobatórios da eficácia do produto e   outros  que atestem a capacidade do laboratório de produzir, com qualidade, o exame proposto.

O prazo para concessão dos registro é variável. Após o envio da documentação, a Anvisa realiza uma análise, podendo fazer novas exigências. O diretor-presidente da Bahiafarma destacou o protagonismo que o laboratório vem conquistando no mercado da saúde.

“Em menos de um ano, a Bahiafarma terá testes para as três arboviroses”, frisou. Cerca de 315 municípios baianos já registraram casos de chikungunya. Itabuna, Itaberaba, Jaguarari e Cansanção concentram 41,75% das notificações.

Indivíduos que residem ou visitaram áreas atingidas  devem prestar atenção aos sintomas. Em caso de febre maior que 38,5° C, dor aguda nas articulações,   acompanhada ou não de edemas (inchaços), é necessário buscar auxílio médico.

Rapidez e precisão

No teste, feito com uma ou duas gotas de sangue, soro ou plasma do paciente, é gerada uma reação  capaz de detectar a doença com 95% de precisão em 20 minutos. Exame pode ser realizado nos primeiros dias de infecção.

Bahiafarma produz exames para detectar zika desde maio

Para atender a uma demanda do Ministério da Saúde, a Bahiafarma lançou, em maio  passado, um teste rápido para diagnóstico do zika vírus.  Com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o laboratório  comercializa e produz esses exames.

No teste, é possível detectar anticorpos contra a arbovirose em qualquer fase da doença. Composto por dois cassetes portáteis, o dispositivo  utiliza amostras de soro do paciente com suspeita do vírus.

De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), um cassete reage ao anticorpo IgM e identifica infecções recentes, enquanto o outro reage ao IgG, informando  se o paciente foi infectado há mais tempo.

Antes, os diagnósticos eram feitos pela técnica PCR (reação em cadeia da polimerase), que detecta a doença em uma fase  avançada, demorando  na obtenção de um resultado rápido. A  tecnologia para produção  foi desenvolvida  por meio de uma parceria entre o governo do estado e a  empresa sul-coreana Genbody Inc.

Segundo a Sesab, neste ano  foram notificados 54.021 casos suspeitos de zika na Bahia. Com resultado rápido, o exame   facilita ações de combate e colabora  para o mapeamento  de ocorrências do zika vírus.