Os 5 motivos que fazem as filas dos transplantes serem tão longas no Brasil

Já passamos da fase em que não havia profissionais capacitados para o procedimento. O que falta é uma melhor gestão dos recursos públicos

Desde 1997, o Brasil conta com o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), instância do Ministério da Saúde que controla todos os transplantes de órgãos e tecidos do país, bem como todos os serviços médicos (hospitais e equipes) que realizam essas operações. São 247 equipes que atuam em dezenas de hospitais credenciados que realizaram mais de 7900 transplantes de órgãos no território nacional em 2015. Assim, estamos falando de quase vinte anos de atividade do SNT. É indiscutível o avanço, facilmente percebido quando sabemos que o número de transplantes de órgãos passou de 2014, em 1997, para 7911, em 2015. Todavia, mesmo com toda essa organização e investimento, as listas de espera para um transplante de órgão ainda continuam extremamente longas e, pior, com altos índices de mortalidade ou de seus integrantes. Quais, então, seriam as razões para isso?

Vamos lá!! Inicialmente, temos que compreender que a resposta envolve vários fatores:

1 – Existe uma enorme desproporção entre o número de pessoas que necessitam de um órgão e a quantidade de doadores disponíveis;

2 – O transplante passou a ser vítima de seu próprio sucesso, ou seja, quanto mais a medicina mundial mostra os excelentes resultados do transplante, mais os médicos o indicam como tratamento de escolha;

3 – O Brasil carece de um sistema amplo e eficaz para cuidar dos potenciais doadores de órgãos, o que determina a perda de um número precioso de enxertos e, consequentemente, da chance de transplante para aqueles que aguardam em lista de espera;

4 – A falta de conhecimento sobre os resultados dos transplantes de órgãos no Brasil

5 – Temos razões claramente ligadas às precárias condições de atendimento da saúde pública brasileira, em que os centros de transplantes, muitas vezes ilhas de excelência rodeadas pelo caos do atendimento, acabam por sofrer com a crônica falta de recursos e, consequentemente, a deterioração de um trabalho que requer alta qualificação profissional, dedicação em tempo integral e, em muitos lugares, condições de infraestrutura de Primeiro Mundo.

Agora, você, leitor, deve se perguntar: “Então não temos saída? A tendência é de piora?”. Como otimista e ainda confiante no desenvolvimento do Brasil, respondo: temos saída, sim. Esta é uma questão clara de falta de gestão e transparência.

Já passamos da fase em que não havia profissionais capacitados para o procedimento. Temos, e muitos. Se for considerado que 97% dos transplantes são realizados pelo SUS, com o dinheiro de cada contribuinte, o Ministério da Saúde, através do SNT, tem a obrigação de analisar e fornecer os resultados dos transplantes no Brasil e, dessa forma, poder encontrar o melhor caminho para a adequada utilização do recurso público.

Isso poderia confirmar, ampliar ou restringir as indicações dos procedimentos, utilizar os recursos de forma a promover a melhora na qualidade dos órgãos viabilizados e otimizar os financiamentos pelo mérito.

E por que não discutir a obrigatoriedade de inclusão de todos os transplantes no rol dos convênios e, assim, abrir a mais eficiente forma de concorrência: a meritocracia? Isso sim poderia diminuir o sofrimento de quem aguarda em lista de espera e aumentar a eficiência dos transplantes no Brasil. Afinal de contas, o que queremos? Apenas um atendimento de qualidade, com bons resultados e com o menor custo possível. Vamos torcer! Incentivando a doação de órgãos e cobrando atenção à saúde por eficiência e não por um simples ato burocrático de credenciamento no Diário Oficial da União, como hoje é exigido.

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