Bahia registrou 2.379 novos casos de sífilis

Três infecções sexualmente transmissíveis estão preocupando a Organização Mundial de Saúde: clamídia, gonorreia e sífilis. A estimativa da OMS é que, a cada ano, 131 milhões de pessoas são infectadas com clamídia; 78 milhões com gonorreia; e 5,6 milhões com sífilis. Provocadas por bactérias, as doenças geralmente são tratadas com antibióticos. O problema é que tais infecções estão criando resistência aos medicamentos. Diante disto, especialistas buscam novas diretrizes terapêuticas para o tratamento.

No ano passado, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab-Ba) registrou 3.539 casos de sífilis, sendo 1.121 somente em Salvador. Até o dia 6 deste mês, 2.376 pessoas foram infectadas. Em relação à gonorreia, 1903 registros em 2015 e 1142 este ano. De acordo com a OMS, a resistência dessas doenças aos medicamentos tem aumentado rapidamente nos últimos anos, reduzindo as opções de tratamento. Das três citadas, a gonorreia foi a que desenvolveu a maior resistência remédios. Foram identificadas bactérias que não reagem diante de nenhum dos antibióticos existentes.

“A clamídia, a gonorreia e a sífilis são importantes problemas de saúde pública em todo o mundo: diminuem a qualidade de vida de milhões de pessoas e provocam graves patologias, podendo levar à morte. Nas novas diretrizes terapêuticas da OMS, reitera-se a necessidade de tratar as infecções com antibióticos adequados, em doses corretas e no momento oportuno, com o objetivo de reduzir sua propagação e melhorar a saúde sexual e reprodutiva. Os serviços nacionais de saúde têm que determinar as pautas de resistência aos antibióticos por essas infecções em seus países”, afirmou Ian Askew, Diretor de Saúde Reprodutiva da OMS.

Uma vez não identificadas e devidamente tratadas, tais ITSs podem provocar graves complicações e problemas de saúde em longo prazo para mulheres, a exemplo de doença inflamatória pélvica, gravidez ectópica e aborto. Tanto nas mulheres quanto nos homens, a gonorreia e a clamídia podem causar infertilidade, além de duplicar ou triplicar o risco de infecção pelo vírus HIV.

As novas recomendações se baseiam nas últimas evidências científicas disponíveis sobre os tratamentos mais eficazes.

Diagnóstico em recém-nascidos 

Outra preocupação é quanto aos casos de sífilis em recém-nascidos, que triplicou no País. O número passou de 5 mil para 16 mil em seis anos. Um relatório interno assinado pelo diretor do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita, detalha a escala dos casos de sífilis em gestante e recém-nascidos desde 2008, prevendo um recrudescimento do problema em 2016. Na análise, Mesquita recomenda a “aquisição urgente” de penicilina cristalina, porque o mesmo é usado para tratar bebês que foram infectados no útero materno e está em falta.

“A presença da doença em recém-nascidos está ligada à falta de diagnóstico e à ausência de exame pré-natal. Sem o pré-natal, a mulher só aparece no hospital na hora do parto. Sífilis congênita é pré-natal malfeito. Porque se a mãe for tratada, o bebê não será contaminado”, avaliou a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Tânia Vergara,

A sífilis é transmitida por meio de contato com lesões nos genitais, ânus, reto, lábios ou boca, além de mãe para filho durante a gestação. Em 2012, a transmissão materno-infantil da sífilis provocou aproximadamente 143 mil mortes fetais precoces ou nascimento de bebês mortos; 62 mil mortes neonatais; e 44 mil nascimentos prematuros ou nascimento de crianças abaixo do peso.

Considerada uma doença silenciosa por não apresentar sintomas graves em seus estágios iniciais, a sífilis pode levar a problemas cardíacos, meningite e até à loucura. Se contraída por mulheres grávidas, a bactéria Treponema pallidum, responsável pela sífilis, pode causar nos bebês malformações (como a microcefalia), cegueira e deficiência mental. Os casos mais graves levam à morte. Por isso a importância de exames pré-natais para detectar a doença em sua fase primária, impedindo o contágio da mãe para o filho.

O Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo também se mostrou preocupado com o crescimento da sífilis, denunciando o descuido que os jovens estão tendo durante as relações sexuais. De acordo com o órgão, a menor preocupação com AIDS favoreceu o crescimento da infecção, visto que os jovens perderam o medo da doença e diminuíram o uso do preservativo, acreditando que o HIV não leva à morte.

CURA
Para a cura da sífilis, as novas diretrizes da OMS recomendam fortemente uma única dose de penicilina benzatina, um antibiótico injetado por um médico ou enfermeiro no músculo das nádegas ou na coxa do paciente infectado. Esse é o tratamento mais eficaz para a sífilis, sendo também mais barato que os antibióticos orais.

Para a cura da gonorreia, a OMS faz um chamado às autoridades sanitárias para que se aconselhem os médicos a prescreverem o antibiótico mais eficaz, de modo a não recomendar as quinolonas (uma classe de antibiótico) para o tratamento, devido à frequência elevada da resistência. Quando utilizados de maneira correta e sistemática, os preservativos são um do métodos mais eficazes de proteção contra as infecções sexualmente trasmissíveis.

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